Category: Livro

  • Por que mudar é tão difícil?

    Por que mudar é tão difícil?

    Foi em um programa de radio que eu ouvi um jornalista dizer, que “se nosso cérebro fosse simples o suficiente a ponto de podermos compreendê-lo, não seriamos capazes de fazê-lo!”

    O reconhecimento de nossas limitações pela ciência deveria ser suficiente para preencher o vazio deixado pela angustia de termos limitações (sem precisarmos apelar pro sobrenatural). Nossa visão, por exemplo, é sensível apenas a uma faixa do espectro de radiação. Nossa audição também tem limites. Uma criança só desenvolve maturidade visual (ou seja, consegue associar formas, cores, contrastes com as informações sobre seus significados) lá pela idade de 9-10 anos. Por isso, dá próxima vez que ouvir “não acredite no que seus olhos estão vendo”, é… talvez você não deva acreditar mesmo!

    Quer ver?! Então observe a figura abaixo e anote o número e o naipe das cartas do baralho na ordem em que elas aparecem.
    Example

    Figura 1 – São 8 cartas de baralho, que aparecem por 0,2s com intervalos de 2s entre uma e outra, alem de uma mensagem inicial.

    Anotou?! Então confira: se você marcou 4 de espadas, 5 de copas, 7 de espadas, 6 de copas, 3 de espadas, 2 de copas, 5 de espadas, Ás de copas… tem alguma coisa de errado com você. Vamos ver, se você marcou 4 de copas, 5 de copas, 7 de espadas, 6 de espadas, 3 de copas, 2 de espadas, 5 de espadas e Ás de copas… têm alguma coisa de errado com você também.

    Na verdade, existe, propositalmente, um erro nas cartas. O 3 e 4 de copas foram pintados de preto, e o 2 e 6 de espadas de vermelho. A maior parte das pessoas comete algum tipo de erro nesse ‘experimento’. Se você classificou as cartas no primeiro grupo, é por que sua percepção é mais influenciada pelas cores, enquanto no segundo grupo, pelas formas. Podem existir níveis intermediários de percepção entre cores e formas.

    Tabela 1 – A ordem das cartas na figura 1. Na primeira coluna está a seqüência de cartas que pessoas com maior sensibilidade a cores percebem. Na coluna 2, a seqüência de cartas que pessoas com maior sensibilidade a formas percebem. Entre parênteses, a modificação que foi feita na carta para induzir o cérebro a reconhecer a incongruência.

    Cor Forma
    4 de espadas 4 de copas (preto)
    5 de copas 5 de copas
    7 de espadas 7 de espadas
    6 de copas 6 de espadas (vermelho)
    3 de espadas 3 de copas (preto)
    2 de copas 2 de espadas (vermelho)
    5 de espadas 5 de espadas
    Ás de copas Ás de copas
    Esse jogo faz parte de um experimento complexo, que mostra que nossa percepção dos fatos não depende apenas do fato em si, e que o reconhecimento da incongruência pelo cérebro é difícil.
    De acordo com o dicionário do Aurélio, o adjetivo Incongruente significa: não acomodado; que não condiz; que não se adapta; incompatível. Nosso cérebro não consegue olhar um novo evento sem tentar relacionar ele com um evento passado. É por isso que temos tanta dificuldade para perceber esses erros. Por isso nossa dificuldade de reconhecer a incongruência. A percepção não é um ato isolado!

    O seu cérebro conhece as cartas do baralho e por isso sabe que um 4 preto não pode ser de copas, então automaticamente, corrige essa informação e você vê um 4 de espadas. Ou vice versa, se a correção for feita pela forma. Pode levar muito tempo pro cérebro perceber que existe algo errado, e uma informação nova para ser avaliada.

    Tá, mas e ai?! Essa característica do nosso cérebro tem profundas implicações na nossa tomada de decisões. Ainda que o processamento de informações pelo cérebro não seja tão simples, a cada momento estamos tendo que tomar decisões. Mesmo levantar de uma cadeira, dar um passo, esticar o braço… para realizar qualquer uma dessas ações, nosso cérebro tem que acionar mecanismos decisórios. Se o cérebro não se adaptasse ao ambiente, estabelecendo um conhecimento prévio desse ambiente, a quantidade de processamento de informações seria tão grande, quer ir a cozinha buscar um copo d’água terminaria por gerar uma grande dor de cabeça! Isso por que o custo do processamento e armazenamento de informações novas é alto.

    Então, todos os organismos desenvolvem algum tipo de expectativa quanto ao ambiente em que eles se encontram. Para isso, ele procura maximizar as percepções relacionadas com suas necessidades, minimizar aquelas não relacionadas. Essas expectativas geram uma certa segurança, e até mesmo um certo conforto, para as nossas ações no dia-a-dia. Grande parte das pessoas necessita de uma certa constância no seu ambiente. Um tipo de “descanso de tela”, um mecanismo de ‘economia de processamento’ para o cérebro. E esse mecanismo deve ser tão importante, que quando essas expectativas são frustradas, o cérebro oferece uma dura resistência ao reconhecimento do “novo”. É por isso que vemos as cartas “diferentes” como uma das cartas que já conhecemos.

    Apesar dessa resistência ao ‘novo’, o cérebro não é bobo. Se as evidências do novo são fortes, repetidas e incontestáveis, o mecanismo de processamento dessa nova informação é acionado e ela é incorporada. Durante o experimento, conforme o tempo de exposição às cartas erradas aumentava, e as pessoas tinham mais tempo para olhar (e ver) a informação ‘nova’, mais pessoas identificavam a incongruência.

    No entanto, algumas pessoas precisavam olhar (ver) a carta por mais de 5 seg para poder reconhecer a incongruência, o erro. E outras, mesmo depois de olhar fixamente para a carta por vários segundos, não reconheciam o erro, apesar de terem consciência de que havia algo de errado. A incapacidade de decidir, em função do conflito entre a ‘informação estabelecida’ e a ‘informação nova’ levava algumas pessoas ao desespero!

    A conclusão desse experimento é que apenas um organismo muito doente, muito motivado (para a negação), ou sem oportunidade de exercer mecanismos de verificação (que nesse caso é o de olhar tempo suficiente para a carta), resiste a uma informação nova, suportada por evidências fortes, para se apegar a uma expectativa pré-estabelecida pelo cérebro, e que acaba de ser frustrada.

    Porém, e isso é importante, enquanto for possível, um organismo vai relutar na percepção do inesperado, aquelas coisas que não se encaixam no seu conjunto de eventos conhecidos, com a utilização de todos os meios disponíveis.

    Thomas Kuhn disse que “As descobertas são raras porque as nossas expectativas cobrem nossa visão e obscurecem nossa percepção do mundo”. Nossa relutância ao ‘novo’ nos ajuda a ter uma vida mais confortável, mas o mundo a nossa volta muda. Quanto melhor forem nossos mecanismos de ‘verificação’ das informações novas, melhor será nossa percepção e mais rápido (e melhor) poderemos nos adaptar a ele. Mas se a relutância ao novo for mantida em detrimento das informações coletadas pelos nossos 5 sentidos (e quem quiser acreditar, no 6º, 7º…), conflito que pode levar a loucura!

    Com a licença do poeta ”
    Mudar é preciso”, ainda que doa.

    PS: Quem quiser conhecer o experimento das cartas na integra e ler mais sobre a dificuldade de perceber a incongruência, pode ler o artigo Bruner JS & Postman L. 1949 . On the Perception of Incongruity: A Paradigm. Journal of Personality 18: 206-23. Quem não conseguir encontrar o artigo, escreve pra mim que eu mando o PDF por e-mail.

  • Incoerente?! Eu?!

    Quantas vezes já te chamaram (ou acusaram 😉 de incoerente? Mas o que é coerência? Existe todo um ramo da estatística que lida com a tomada de decisões. Todas essas técnicas pretendem avaliar as probabilidades de você alcançar o sucesso escolhendo entre diferentes possibilidades (quem assistiu “Quero ficar com Polly”?). É assim que as companhias de seguros (e também os cassinos) ganham rios de dinheiro. No entanto, para que elas funcionem, é preciso que haja… coerência! Estatisticamente, coerência é descrita da seguinte forma: Se A é melhor do que B, e B é melhor do que C, então, obrigatoriamente, C é melhor do que A. Concordam? Aposto que sim. A maior parte de vocês deve concordar. O problema é quando saímos das ‘letrinhas’. Você pode preferir jogar bola (evento A) do que ir a praia (evento B), e preferir ir ao cinema (evento C) do que ir a praia (evento B). Então, por coerência, você deveria preferir ir ao cinema (evento C) do que jogar bola (evento A). Só que, estatisticamente, nem todos concordariam quanto a essa conclusão. Algumas pessoas, prefeririam jogar bola do que ir ao cinema (seria interessante fazer essa pesquisa pra saber exatamente o resultado entre nossos leitores). E isso seria, do ponto de vista científico, incoerente. Isso é uma exceção? Não. O fato é que o ser humano é, basicamente, incoerente!

    É verdade que os problemas que enfrentamos são mais complexos do que isso simplesmente jogar bola ou ir a praia. Mas vamos manter o exemplo e complicar um pouco a situação: você prefere ir a praia se estiver sol, mas e se chover? Chovendo, deve ser melhor ir ao cinema. Mas e se você não sabe se vai chover? Melhor ir pra praia e arriscar? Ou ir ao cinema e correr o risco de perder o dia de sol, mas se divertindo sem o risco de passar frio?

    Bom, agora entra em cena outra questão, a ‘propensão ao risco’. Esse fator é ainda mais variável. Principalmente por que a propensão ao risco da chance de ganhar e do premio. Em geral, quanto maior o ganho (ou melhor o premio), maior o risco que a pessoa está disposta a correr. Mas isso pode mudar se as chances de ganhar forem pequenas. A propensão ao risco varia de cultura para cultura e de pessoa para pessoa, mas se ela depende das chances, podem variar até para a mesma pessoa. Nesse caso, dependendo do risco, o premio pode deixar de ser interessante. Parece lógico? Pode (até) parecer, mas a conseqüência é a falta de coerência. E falta mesmo!

    Dependendo do premio e do risco, a coerência… flutua!

    Bom, e agora?! Como viver nesse mundo cheio de pessoas INCOERENTES? Não é fácil. Desde pequenos vivemos em um mundo dicotômico (dia e noite, muito e pouco, etc) e somos ensinados a escolher entre ‘certo’ ou ‘errado’. Nunca pudemos dizer: tenho 70% de certeza de que tenho a resposta certa.

    A forma que o ser humano elegeu para lidar com a incerteza dos eventos foi eliminá-la, ao invés de aprender a lidar com ela. Como eliminar a incerteza é impossível (vocês já ouviram falar do principio de incerteza de Heisenberg?), agora temos de nos re-educar para lidar com ela. Mas não dá pra, depois de macaco velho, sair por ai calculando probabilidades e montando árvores decisórias pra decidir se vamos passar as férias na montanha ou na praia. O que podemos é, sabendo que os eventos são incertos e que as pessoas são incoerentes, propormos escolhas mais flexíveis (até para nós mesmos). Quanto menos você colocar uma situação entre certo ou errado, menos pressão vai colocar sob a pessoa que deve decidir. E mais fácil vai ser (deveria ser) a decisão. Não é coerência, é ciência!

    PS: De acordo com diversos estudos, só um elemento consegue generalizar a coerência nos seres humanos. Dinheiro! (apostos que vocês pensaram que eu ia falar sexo!) Repita o teste do ‘se A é melhor que B e B é melhor que C, então A é melhor que C’; substituindo os eventos por quantias monetárias crescentes. Todos os participantes do teste concordarão e serão coerentes: uma quantia maior é sempre preferível a uma quantia menor.

  • Por que algumas mulheres (homens) só atraem homens (mulheres) malucos(as)?

    Por que algumas mulheres (homens) só atraem homens (mulheres) malucos(as)?

    Vai dizer que essa não é uma pergunta interessante? Aposto que o novo contador instalado no Blog vai disparar! Mais uma vez, não é uma pergunta pra Biólogo, mas como eu disse anteriormente, isso não importa, desde que tenha ciência por trás e que eu possa tentar falar a respeito. Não espere a solução dos seus problemas por que esse não é um site de auto-ajuda.
    Cientificamente, os homens fazem parte do grupo que chamamos de estrategistas ‘r’. O ‘r’ é minúsculo mesmo e representa o valor do coeficiente de crescimento exponencial de uma população que nunca chega ao equilíbrio. Mulheres são estrategistas K, maiúsculo, e representa o valor da constante de equilíbrio de uma população quando alcança a estabilidade, em uma outra equação. Essas duas estratégias estão relacionadas com utilização de energia. Não existe estratégia certa ou errada. Existem duas formas de alcançar o sucesso reprodutivo (e evolutivo) em longo prazo. Ambas são perfeitamente viáveis (o que é mais importante que serem ‘certas’ ou ‘erradas’). Isso se não tivessem de conviver juntas!
    Evolutivamente, as fêmeas acharam por bem manterem seus ovos próximos a elas, já que o custo” energético de um ovo é extremamente alto para um predador qualquer se valer dele. Acabaram por manterem seus ovos ‘dentro delas. Isso trouxe uma vantagem seríssima para as fêmeas: seus filhotes são sempre seus! Ela nunca corre o risco de cuidar de um ovo que não seja seu! O que é importantíssimo, já que o custo de manter o ovo dentro do próprio corpo e depois ainda amamentar, no caso dos mamíferos, é muito elevado.
    Todo esse ‘investimento energético na gestação, fez com que as fêmeas desenvolvessem mecanismos muito seletivos para a escolha do macho. Pra gerar um filho, não poderia ser qualquer um. Tinha de ser o mais forte e com sistema imune mais eficiente. Um macho que pudesse providenciar comida e abrigo para ela e o filhote. Bom, achar um macho assim, nem era difícil, o problema era convencer ele a topar essa proposta. Basicamente a proposta é: “Me dê casa, comida e roupa lavada, por que eu juro que o filho é teu!”. Mas muitas vezes… o filho não era.

    Durante um mesmo período fértil, quando o macho dava uma escapada pra buscar comida, se aparecesse outro macho, mais viril, mais forte, mais bonito ou mais resistente a doenças, a fêmea não pensava duas vezes, e dava pra ele também (de acordo com alguns cientistas, a partir desse momento começa uma ‘guerra’ entre os espermatozóides dos dois machos, dentro das trompas da fêmea. Se você quiser saber mais pode ler o livro Sperm Wars: The Science of Sex de Robin Baker).
    A questão é tão séria que define promiscuidade. Apesar de muitas fêmeas humanas terem diversos parceiros ao longo da vida, elas não são promiscuas, sendo o termo reservado apenas para aquelas que tem diferentes parceiros durante o mesmo ciclo ovulatório. Ou seja: aquelas que não podem garantir quem é o pai!
    Os machos para não precisarem correr o risco de acreditar em suas fêmeas, desenvolveram uma outra estratégia. Como eles efetivamente nunca teriam certeza que seus filhotes eram seus, eles resolveram investir pouca energia neles, ou melhor, em cada um deles. Produziram muitos espermatozóides, mas muitos mesmos, células pequenas, simples e que não gastassem muita energia. E jogaram com a sorte: poderia ser que uma fêmea, duas, vai lá, três se ele fosse muito ferrado, poderiam encontrar um macho mais interessante depois de terem sido fecundadas por ele. Mas mais que isso… seria difícil. Como as mulheres sabem, não tem tanto homem interessante dando sopa por ai. Bom, os machos também sabiam disso (alias, melhor que as mulheres, por isso fazem um doce de vez em quando) e por isso, resolveram espalhar seus espermatozóides pelo maior número de fêmeas possível. Só assim, estatisticamente, seus genes seriam passados adiante. De uma forma, ou de outra. E como ainda por cima eles não tem interesse em investir energia na prole que não tem certeza de ser sua, precisam fecundar um número ainda maior de fêmeas, para aumentarem suas chances de terem uma descendência.
    Parece machista? Terrível? Olhe a sua volta: peixes, aves, cães e gatos… todos fazem assim, só nós queremos ser diferentes.
    Agora entra o argumento óbvio: Ahh… mas nós não somos cães e gatos! Nós somos inteligentes! Mesmo os seres humanos, viveram como animais no último 1 milhão de anos. Apenas nós últimos 4-5 mil anos, começamos a nos civilizar(?). Acreditem em mim, isso não é tempo suficiente pra seleção natural agir e mudar nossa biologia.
    A natureza criou as mulheres exigentes e os homens descompromissados. As fêmeas exigem qualidade e prometem fidelidade, mas… traem! Os homens… bem, os homens só traem mesmo!
    Não somos malucos, mas temos regras sociais que ditam uma coisa e hormônios que exigem outra. Uma equação difícil de resolver. Somos a primeira espécie que tenta apaziguar uma guerra evolutiva entre os sexos que dura milhões de anos. E estamos pagando o preço.
    Mas isso não serve de desculpa para ninguém. Temos mesmo a inteligência e a cultura, e devemos fazer uso delas. Mas se resolvermos fechar os olhos para as questões biológicas (e abrirmos muito eles para os contos de fadas), corremos o risco, simplesmente de morrer tentando. Ou pior ainda, de não trepar!

    PS: Pra quem estiver mais curioso sobre os aspectos científicos do sexo e dos relacionamentos, não deixe de ler o impagável “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor” de Allan e Bárbara Pease. E pra quem estiver muito interessado mesmo nas questões biológicas mais intrigantes (Por que as mulheres mestruam? Por que os homens não amamentam?) podem tentar ler (por que é meio chato, apesar de super interessante) “Why sex is fun?” de Jared Diamond.

  • Qual a idade da vida? (Da série: Minha mãe, a Chita, ou o que é a Seleção Natural?)

    “O homem se desenvolveu de um óvulo com um diâmetro de aproximadamente 1/125 polegadas, que em nenhum aspecto difere dos óvulos de outros animais […] O próprio embrião, em um período muito inicial, não pode ser distinguido do de outros membros do reino dos vertebrados […] As fendas na lateral do pescoço permanecem […] e os ossos do cóccix projeta-se como uma verdadeira cauda, que estende-se consideravelmente alem das pernas rudimentares […] Descobrimos que o homem descende de um quadrúpede peludo, dotado de cauda e orelhas pontudas …” (Charles Darwin em A ancestralidade humana)

    Até Darwin, o homem era algo especial. Basicamente diferente dos outros animais. O mundo e o universo tinham sido criados por Deus para o Homem e por nenhuma outra razão. Em a origem das espécies, Darwin falava pouco sobre o ser humano. Foi apenas 12 anos depois, com sua teoria bastante reconhecida, que ele tomou coragem para publicar “A ancestralidade humana”, um calhamaço de mais de 1000 paginas tentando explicar com todas as suas forças de onde viemos. Como na época de Darwin não existiam fósseis, foram às observações do desenvolvimento de embriões que forneceram as principais provas da descendência humana.

    Mas Darwin não conseguiu explicar como os caracteres hereditários eram transmitidos de pais para filhos e, conseqüentemente, como as pequenas mudanças que acarretavam na transformação de uma espécie em outra eram adquiridas. Foi na cidade de Brno, na atual República Checa, que os (hoje clássicos) experimentos com ervilhas que explicam a transmissão dos caracteres genéticos foram realizados pelo monge Gregor Mendel.

    Mendel não se interessava por genética. Na verdade a genética não existia. Filho de camponeses pobres, ele se interessou por agricultura desde pequeno. Depois de se ordenar padre e estudar história natural, matemática e estatística. Ele cruzou milhares de pés de ervilhas para estudar as proporções numéricas resultantes entre cruzamentos de uma classe e outra. Seu interesse era, por exemplo, se cruzando plantas altas e baixas o resultado seriam plantas altas, baixas ou médias. Depois de analisar milhares de ervilhas ele descobriu que algum tipo de partícula, que existiam aos pares nos seres vivos, era responsável pelos caracteres observados nos organismos. A altura, a cor da pele dos olhos e dos cabelos, o sexo etc. Hoje sabemos que essas “partículas” são os genes.

    Apesar das 5 regras que Mendel descreveu, e que valem até hoje, para todos os seres vivos, seu trabalho foi tido primeiramente como estatístico e apenas no começo do séc XX foi redescoberto por Hugo De Vries (que descobriu as mutações) e teve sua imensa importância reconhecida.
    A partir daí, foram necessários apenas mais 50 anos para a descoberta de estrutura em dupla hélice do DNA e outros 50 para a clonagem da ovelha Dolly.

    A 4 bilhões de anos atrás, na era pré cambriana, da famosa sopa primordial, emerge a vida, na forma de uma célula bacteriana. Durante os 3 bilhões de anos seguintes as bactérias colonizam a terra e apenas há 600 milhões de anos atrás a 1a forma de vida multicelular apareceu.

    Durante a era Paleozóica a vida explode. Há 545 milhões de anos atrás a vida aquática se diversifica; a 425 milhões de anos aparecem os moluscos com conchas e a 395 milhões de anos os animais terrestres. Há 280 milhões de anos atrás aparecem os répteis. Depois de um devastador evento de extinção a 250 milhões de anos atrás, os répteis evoluem e dominam a terra, até 65 milhões de anos quando se extinguem (muito provavelmente devido ao tal meteoro que todo mundo já ouviu falar).

    O clima da terra muda e se resfria um pouco e as florestas pluviais dão lugar a prados e bosques. Os mamíferos se diversificam e 4 milhões de anos atrás aparecem os primeiros membros da família humana dos primatas. A cerca de apenas 50 mil anos apareceu o primeiro Homo sapiens.

    É pouquíssimo intuitivo pensar em termos de bilhões e milhões, ou mesmo milhares de anos. São certamente escalas de tempo que escapam a nossa percepção e dificultam a nossa compreensão. Mesmo assim, o ser humano é uma espécie muito nova, com uma grande capacidade de modificar o ambiente para promover sua adaptação, mas que ainda trás consigo marcas fortes de sua origem menos evoluída e que provavelmente ainda sofrera grandes transformações em sua estrutura.

  • A seleção Natural – 2a parte

    Quase todos os organismos possuem uma maquinaria, seja fisiológica, bioquímica ou genética para se adaptar as mudanças do ambiente. Enzimas que não são utilizadas até que sejam necessárias, genes que não são transcritos até que sejam induzidos, vias metabólicas que não são ativadas até que outras sejam inibidas. Algumas pessoas podem apresentar uma capacidade de adaptação maior para alguns eventos (resistência ao frio, sensibilidade a luz, audição mais aguçada) do que outras. Isso por que a genética de cada um é diferente. Essa variabilidade vem principalmente de dois mecanismos, as mutações e o intercruzamento de genes (crossing-over) no momento da divisão celular que reduz o numero de cromossomas a metade (meiose) para preparação das células sexuais reprodutoras, vulgos gametas. Essas “capacidades especificas” de cada pessoa, registradas nos genes do DNA, podem ser transmitidas de uma geração para outra. E nesse princípio que se baseia a Seleção Artificial quando os homens escolhem animais com características especificas para serem cruzados dando origem a prole com as características de ambos os pais.

    Tudo bem, mesmo Darwin com sua impressionante capacidade de observação não conseguiu explicar a transmissão das características hereditárias. O melhor que ele conseguiu fazer foi sugerir a idéia absurda de que pequenas partículas de nosso corpo eram enviadas aos órgãos sexauis onde se fundiam em pequenas sementes de nós.

    As mutações acontecem naturalmente com uma determinada freqüência (que é baixa) seja por resultado de erros no momento da replicação do DNA, seja por estímulos ambientais externos como exposição a radiação quando vamos tirar um Raio-X, ou simplesmente por pegar uma boa dose de UV na praia no final de semana. Alguns elementos como o Urânio e o Tório são naturalmente radioativos, mas quase todos os elementos apresentam isótopos radioativos (por isso podemos dosar a idade de minerais pelo isótopo 14Carbono). Até mesmo uma árvore possui certa quantidade de isótopos radioativos de elementos comuns como sódio, carbono e potássio.
    Em grande parte das vezes as mutações são negativas, ou sejam não conferem nenhuma capacidade melhor do organismo se adaptar ao ambiente. Para essas mutações cotidianas a que estamos expostos possuímos excelentes mecanismos de reparo.

    Mas de tanto em tanto, alguma mutação que confere uma grande capacidade adaptativa aparece. Essa capacidade pode não ser percebida até que uma mudança drástica no ambiente ocorra. Por exemplo, um pombo que nasça com o bico levemente curvado para o lado pode passar despercebido na população. Mas se um dia os velhinhos parassem de jogar milho nas praças e os pombos precisassem buscar alimentos embaixo das cascas de árvores, e nesse caso, talvez os pombos com bicos tortos levassem uma vantagem. Eles conseguiriam mais alimento e teriam maior chance de chegar a idade da maturidade sexual, se reproduzindo e deixando descendentes, todos com bicos tortos e, conseqüentemente, com mais facilidade para se alimentas, crescer e reproduzir. Em algumas gerações todos os pombos teriam bicos tortos.

    O principio da exclusão competitiva e da seleção natural, que é melhor traduzida pela expressão “a lei do mais adaptado” ao invés de a lei do mais forte, pode ser aplicado não só a biologia mas a diversos campos do conhecimento, como as ciências exatas e humanas. Por isso acho importante, termos claro em mente que o ambiente é capaz de causar mutações, mas essas sempre serão aleatórias e nunca “encomendadas”. O clima frio nunca fará com que o filhote de cobra nasça com um casaco de pele. Mas certamente um filhote de cobra que nasça com esse casaco de pele terá mais chance de sobreviver e reproduzir caso a temperatura em seu habitat caia bruscamente e por um longo período. A seleção natural sempre vai atuar em um leque existente de possibilidades de adaptação no ambiente, e nunca “encomendar” uma característica aos genes.

    Por isso, vamos esquecer aquela história intuitiva de que a girafa tem o pescoço comprido de tanto estica-lo para comer as folhas de árvores mais altas.

    O responsável por desvendar o mistério da hereditariedade foi o monge Gregor Mendel. Mas isso é uma história para semana que vem.

  • A seleção Natural

    “A crença de que as espécies eram produtos imutáveis era quase inevitável enquanto se considerou ser de curta duração a história do mundo […] A principal causa de nossa relutância a admitir que uma espécie originou espécies claras e distintas é que sempre somos lentos para admitir grandes mudanças as quais não vemos as etapas”. (Charles Darwin, A origem das espécies)

    O primeiro Darwin a estudar a evolução não foi Charles, mas sim Erasmus, seu avô. Ele achava que as espécies se adaptavam ao meio, por uma espécie de esforço consciente. A teoria dos caracteres adquiridos. Mas foi seu contemporâneo Jean-Baptiste Lamarck que ficou mais famoso defendendo uma teoria semelhante, a do “Uso e Desuso”. Segundo ele os órgãos se aperfeiçoavam com o uso e se enfraqueciam com a falta de uso. Mudanças que são preservadas e transmitidas a prole. O exemplo mais típico seria do pescoço da girafa, que cresceria a medida que ela o estica para alcançar as folhas mais altas das árvores.

    A teoria de Lamarck era uma espécie de Darwinismo ao contrário, com os organismos controlando seu próprio desenvolvimento. Suas idéias eram bastante intuitivas e mais cativantes por se adaptarem mais facilmente ao senso comum. Suas teorias sofriam de um problema de seleção das observações e sua abordagem de carência de comprovação científica. Comprovação essa que ele se recusou a apresentar (e nem conseguiria). Claro, se amarrarmos o braço de um bebe junto ao seu corpo, e o mantivermos assim por 30 anos, os músculos não iram se desenvolver, e com o tempo vão atrofiar perdendo a capacidade de se desenvolver. Esse adulto terá os braços com tamanhos desiguais. Mas ao contrário do que Lamarck previa, os filhos desse homem não nascerão com braços pequenos. Assim como as cicatrizes que adquirimos durante nossa vida não são transmitidas a nossos filhos.

    O homem e seu antropocentrismo. Mesmo quando as evidências de um planeta que era mais velho do que a bíblia descreverá se acumulavam, ainda era difícil aceitar que a o homem já teria sido “menos que um homem”.

    Em 16 de Setembro de 1835, Charles Darwin desembarcará nas ilhas Galápagos, no Equador. Já se passavam 4 anos que eles partiram do porto de Plymouth para uma viagem de dois anos. Darwin, depois de uma série de felizes coincidências, tinha sido recomendado como naturalista oficial do navio de pesquisa da Marinha Britânica HMS Beagle. Nas mãos, o exemplar do então recém publicado “Princípios de geologia”, de Charles Lyell, que definitivamente sepultara o catastrofismo e introduzira as forças capazes de modificar a paisagem da terra, como a erosão do vento e das águas.

    Talvez não tenham sido as particularidades de algumas espécies que vivem no isolado arquipélago das Galápagos que levaram Darwin a bolar a teoria da “Seleção Natural”, mas certamente elas foram importantes. Ali, as diferenças nos bicos dos Tentilhões, nos cascos pernas e pescoços das tartarugas de diferentes ilhas, chamaram sua atenção. Como cada ilha desenvolvera sua própria espécie? Certamente ele se perguntou. Essas pequenas diferenças contrastavam com semelhanças maiores. Ele observou que o avestruz africano era muito semelhante a Ema sul-americana. Como poderiam ocorrer essas semelhanças mesmo com um oceano entre os dois continentes?

    O que talvez pouca gente saiba é que foi já de volta na Inglaterra, lendo “Um ensaio sobre o principio da população” de Thomas Malthus, aquele que todos nos aprendemos na escola, que diz que a população cresce de forma geométrica e os alimentos de forma aritmética, que Darwin finalmente teve a luz que faltava para seu trabalho.

    Ele havia coletado e catalogado um número incrível de observações e sabia que as espécies apresentavam variações (mesmo que não soubesse ainda explicar como elas apareciam). Se as populações sempre crescem mais do que seus meios de subsistência, então existirá sempre uma grande competição pela sobrevivência. Nessa competição, aquelas variações que são mais favoráveis tenderiam a ser preservadas e as não favoráveis destruídas. Sendo esse “favorável” relacionado ao seu meio específico, ou seja, o ambiente onde ela vive. E o “preservadas” relacionado a transmissão aos descendentes.

    Sabendo da comoção geral que sua teoria da “lei do mais apto” (ao contrário da “lei do mais forte”) causaria, ele evitou durante muito tempo em publicar seu trabalho. E talvez sua idéia de deixar seus escritos com o amigo Lyell para que fossem publicados após sua morte talvez se concretizasse não fosse uma outra surpresa. Uma carta de um jovem naturalista também Inglês chamado Alfred Russel Wallace, com um manuscrito em anexo, que pedia o parecer de Darwin sobre suas idéias. Aqui entra um pouco de fofoca. Dizem que Darwin apesar de todas as suas observações não tinha ainda percebido a seleção natural, e só o fizera depois de ver as conclusões de Wallace. Mas o mais provável é que Darwin tenha apenas ficado impressionado com o brilhantismo desse jovem naturalista e por isso apressou a publicação de “A origem das Espécies”. Mais que um clássico, o livro é TU-DO, como diria Vanuza Lobão!

    Mas as idéias de Darwin tinham uma conseqüência maior… mais assustadora e mais perturbadora… Se as espécies se modificavam… evoluíam então… Sim, o homem também evoluira. Como falei na semana retrasada, não era mais Deus que tocava o dedo de adão dando-lhe o sopro de vida no teto da capela Sistina… Era um macaco!

  • 23 de Outubro de 4004 A.C. (Da série: Minha mãe, a Chita, ou o que é a Seleção Natural?)

    “No princípio Deus criou os céus e a Terra […] Criou, pois, Deus […] todos os seres viventes […] Então formou o senhor Deus ao Homem do pó da Terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser a alma vivente”. (Gênesis)

    Estou convencido de que a Seleção Natural é a descoberta mais importante de toda a biologia e muito possivelmente de toda a ciência. Claro, que as leis do movimento de Newton, o já descrito eletromagnetismo de Maxwell e a relatividade especial de Einstein foram feitos quase inacreditáveis, mas nenhum deles mexeu tanto com nossa emoção, e nos impeliu um sentimento de humildade quanto à descoberta de que evoluímos dos macacos e esses de algum outro animal, vindo todos nós de uma única célula que emergiu de uma lama pútrida quando a terra não era um lugar muito agradável de se viver.

    Em tempo: Nesse contexto, talvez a descoberta de Hubble (que hoje empresta o nome ao poderoso microscópio que flutua no espaço) de que as galáxias estão se afastando (ou seja, que o universo esta em expansão) tenha sido mais importante para mostrar que, em resumo, somos o cocô do cavalo do bandido. Estamos em um sistema solar no canto extremo esquerdo do braço do redemoinho do conglomerado de estrelas que é a via Láctea, com a estrela mais próxima a 37 trilhões de km de distância, sendo está apenas uma dentro de um conglomerado de 20 galáxias, dentro de um universo observável com aproximadamente 100 bilhões de galáxias, com, mais ou menos 100 bilhões de estrelas cada uma, distante 15 bilhões de anos luz da galáxia mais distante e cerca de sessenta vezes menor do que a maior galáxia conhecida, que tem 100 trilhões de estrelas.

    No entanto, a idéia intuitiva que a maior parte das pessoas tem sobre a seleção natural é justamente o oposto do que ela prega, tendo maior semelhança com o Lamarkismo e o princípio do Uso e desuso. Mesmo a maior parte dos estudantes de biologia pra quem tenho lecionado nos últimos anos, trás idéias equivocadas sobre como procedeu a evolução. Por isso resolvi dar uma luz nesse tema com uma série (ou uma saga, nesses tempos de Guerra nas estrelas) de dois ou três textos, começando pelo de hoje, pra explicar quando, como, onde e por que da evolução.

    Até a renascença, acreditava-se que a reprodução fosse um evento sobrenatural, alem das capacidades descritivas da ciência, como a descrição acima do Gênesis. Nesse contexto, reinava a teoria da “Geração espontânea” segundo a qual formas de vida inferiores apareciam espontaneamente a partir da matéria não viva, como larvas na carne, besouros no esterco e camundongos no lixo.

    Foram o fisiologista inglês Willian Harvey e o biólogo italiano Francesco Redi, que no Séc XVII mostraram a inviabilidade dessa teoria, o primeiro provando que todos os animais provinham de um ovo, e o segundo que as larvas da carne eram originadas por minúsculos ovos depositados por moscas.

    Mas até 1830 a idéia era que vivíamos em um planeta estável e imutável, povoado por espécies imutáveis que permanecem exatamente como Deus as criou, juntamente com a Terra para ser o lar do homem. A Bíblia era interpretada ao pé da letra e ainda em meados do Séc XVII, o bispo Irlandês James Ussher, escreveu uma cronologia do velho testamento, onde compilou todas as gerações de homens e mulheres mencionados na bíblia até chagar a Adão e Eva e fixou o momento da criação ás 2:30 h de domingo, 23 de outubro de 4004 a.C.

    A primeira teoria da evolução, se é que pode ser chamada assim, foi, como tantas outras, descrita por Aristóteles. Na sua época, não existia método científico ou experimentação, e se uma teoria fosse “bonita” ou “lógica” então era verdadeira. Apesar do seu louvável esforço e dedicação em compreender a natureza, ele foi responsável por grande parte dos absurdos que permaneceram por toda a idade média. Sua teoria dizia que todas as espécies buscavam a perfeição, sendo que apenas os humanos alcançaram, e montou uma escala com os minerais na base e o homem no alto, sendo todas essas posições (assim como as intermediárias) imutáveis.

    Era importante, pois, classificar todas as espécies, e dentro desse contexto, o sueco Carl Lineu foi a figura mais significativa. Ele publicou no Séc XVIII seu Systema Naturae onde criou um método claro e eficiente de nomear todos os animais e plantas, e que persiste até hoje.

    Nas primeiras edições de seu sistema de classificação, estavam mantidas as idéias de que as espécies eram fixas. Porem, com a observação de híbridos em animais de fazenda, e de mutações, ele começou a questionar se as espécies eram imutáveis desde a época do criador, e tirou essa afirmação do seu livro.

    Mais ou menos por essa mesma época (meados do séc XVIII) diversos estudos de um misto de biologia e zoologia, digamos os primórdios da Paleontologia (o estudo dos fósseis) começaram a questionar a idade da terra. O ponta-pé inicial foi dado pelo naturalista Francês De Buffon. Ele propôs que boa parte dos animais estava extinta, que os animais sofriam algum tipo de mudança evolutiva, que os mamíferos tinha um ancestral em comum e que sugeriu uma escala geológica de 35 mil anos para explicar a estratificação da Terra. Obvio que ele, como Galileu, também teve de se retratar perante a Igreja “Abandono tudo que meu livro diz com respeito a formação da terra […] e tudo que possa ser contrário a narração de Moisés”. Até então, a explicação para as formações geológicas era o catastrofismo, em voga desde que o filósofo grego Xenófanes de Cólofon encontrou, em 560 a.C., conchas marinhas incrustadas em rochas no alto de uma montanha. Segundo ele, as conchas teriam sido lançadas ali por um dilúvio catastrófico.

    Sem se conhecer o tempo geológico, o catastrofismo era a única forma de se explicar todos os eventos geológicos no curto período de tempo proposto pela bíblia. E eventos com probabilidades de 1/1.000.000 de acontecer, ou algo movimentos com velocidades de 1 cm/1000 anos, não eram considerados. No entanto, a partir de meados do Séc XIX, emerge uma revolução na geologia e na biologia, que leva a uma compreensão da idade da Terra, da Natureza e da origem dos seres vivos. Eventos com probabilidades baixíssimas passariam a ter tempo para acontecerem não uma, mas diversas vezes, e assim realizarem os feitos anteriormente explicáveis apenas pela “Intervenção Divina” ou pelas catástrofes. E estaria extinta para sempre a ilusão infantil de uma humanidade no centro das atenções do universo.