Talvez pelo clima aprazível de Arraial e o aconchego do encontro, quando a jornalista Alessandra Carvalho (do Karapanã) subiu no palco com seu belo sotaque paraense não havia mais nenhuma dúvida de que jornalistas e cientistas devem divulgar ciência, que cada uma tem o seu espaço, mas que só tem a ganhar com a convivência. Ela relatou várias experiências bem sucedidas onde jornalistas ajudaram os cientistas a divulgar seus trabalhos.
Depois do intervalo, a jornalista Lacy Barca (que escreve no Minha amiga Jane) fez um incrível e delicioso panorama da ciência na TV, com apenas 8,5h por semana de programação (comparados a 50h de esporte e, acreditem, 190h de religião). Depois de trabalhar em programas como Globo Ciência ela é responsável pela recuperação do arquivo na Rede Brasil e mostrou pra nós trechos de vídeos dos primeiros programas de ciência na TV brasileira, remontando a década de 70, e falou sobre a mudança da linguagem na comunicação.
Foi a vez de Maria Guimarães (Ciência e idéias), cientista e jornalista da Revista FAPESP apresentar a sua visão de como cientistas escolhem seus temas de pesquisa e como jornalistas escolhem seus temas de reportagem: “minha paixão pela ciência não cabia em um só tema de pesquisa”. A platéia se encantou com a caçadora de roedores no doutorado que agora escreve até sobre astronomia. Para mim ficou o recado de que cientistas precisam aprender a contar, mesmo que só para os jornalistas, a história por trás de suas pesquisas, e os jornalistas não podem nunca esquecer a paixão por trás do tema de pesquisa de um cientista.
As meninas da Ciência Hoje não resistiram ao sol e fizeram muito bem ao almoçar camarão frito na praia enquanto alguns foram para as suas pousadas fazer o check-out e outros para o Saint-tropez se despedir da Muqueca de Dourado e da Lula Doré.
Mas as 15:30 estavam todos de volta para assistir Fábio Almeida, do Ciêncine falar sobre a importância dos documentários cinematográficos na divulgação científica. Mostrou trechos da entrevista com José Reis, ex-diretor do do Instituto Biológico de São Paulo e um pioneiro da divulgação científica rápida e eficiente. Fábio foi muito didático ao mostrar como a atividade científica e cinematográfica tem a ‘observação’ do mundo como ponto de partida e portanto, nada mais normal que os biólogos, ao registrar imagens em movimento para estudar fenômenos naturais, sejam os verdadeiros criadores do cinema. Aproveitou para mostrar o risco da divulgação irresponsável, que atribui aos irmãos Lumiére, criadores do cinema como espetáculo, a invenção do cinema como método. E terminou com uma alfinetada: os blogueiros tem que pensar em usar todo o potencial de outras mídias, porque ainda estão postando como se fossem uma revista impressa!
As 17h, sem tempo para uma despedida apropriada de todos os novos amigos que ser formaram ali, o ônibus partiu para o Rio levando convidados e agregados. Foram dois dias estimulantes e tenho certeza que todos voltaram pra casa com novas idéias para colocarem em prática nos seus blogs. Agora é esperar pelo próximo.
Obrigado a todos que ajudaram a tornar o evento um sucesso.

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